segunda-feira, 24 de junho de 2013
sexta-feira, 27 de abril de 2012
6ª Bienal do Esquisito: Confira a relação de artistas selecionados
Por: www.olholatino.com.br
A 6ª Bienal do Esquisito é um festival da arte contemporânea que reunirá obras das mais variadas técnicas e contará também com a apresentação de performances de vários artistas. O tema do evento é “A face oculta de um acéfalo”. Trata-se de uma abordagem por meio das Artes Visuais sobre a inexistência do óbvio na sociedade.
O evento terá início no dia 5 de maio, no Centro de Convenções "Victor Brecheret", em Atibaia-SP. A realização é do Museu Olho Latino e da Secretaria de Cultura e Eventos - Prefeitura da Estância de Atibaia. É um projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural.
Obras de Gonçalo Pavanello selecionadas para a 6ª Bienal do Esquisito
Série "Variações de um cérebro à toa"


Confira a relação de artistas selecionados:
- 2HW (São Paulo, SP)
- Alexandre Gomes Vilas Boas (Guarulhos, SP)
- All Bano Dias (Goiânia, GO)
- Alvaro Azzan (Campinas, SP)
- Amanda Jones (São Paulo, SP)
- André Cunha (São Paulo, SP)
- Angela Waltrick (Labges, SC)
- Antonio Lima (João Pessoa, PB)
- Bárbara de Azevedo (São Paulo, SP)
- Bruno NITZ (Jaú, SP)
- Carla Meurer Magalhães (Porto Alegre, RS)
- Carla Scheid (Imbituba, SC)
- Carol Brandi (Campinas, SP)
- Chico Santos (Londrina, PR)
- Chimenia Sczesny (Rio de Janeiro, RJ)
- Cibele Fernandes (São Paulo, SP)
- Coletivo 308 (Guarulhos, SP)
- Coletivo Amor Experimental (São Paulo, SP)
- Dalton Paula (Goiânia, GO)
- Daniel Alonso (São Paulo, SP)
- Denidias (Lorena, SP)
- Diego de los Campos (Florianópolis, SC)
- Dudu Gomes (Rio de Janeiro, RJ)
- Emerson Kelsch (Atibaia, SP)
- Eni Ilis (Campinas, SP)
- Fabio Hacienda (São Paulo, SP)
- Fábio Leão (São Paulo, SP)
- Felipe Olalquiaga (Brasília, DF)
- Fernando da Luz (Porto Alegre, RS)
- Flaw Mendes (Campina Grande, PB)
- Gersey Pinheiro (Atibaia, SP)
- Gonçalo Pavanello (São Bernardo do Campo, SP)
- Ivan Schulze (Blumenau, SC)
- Jana Richardi (Campinas, SP)
- João Bosco (Hortolândia, SP)
- Lara Leal (Rio de Janeiro, RJ)
- Leandro Dário (São Paulo, SP)
- Lu Paternostro (São Paulo, SP)
- Marcela Tiboni (São Paulo, SP)
- Márcio Pannunzio (Ilhabela, SP)
- Maria Vitória Ferreira (Americana, SP)
- Mariana Benedetto (São Paulo, SP)
- Mariza Barbosa (Uberlândia, MG)
- Matias Picón (Bragança Paulista, SP)
- MIRS (Campinas, SP)
- Neco Soares (São Paulo, SP)
- Pedro Dutra (Americana, SP)
- Rael Brian (Brusque, SC)
- Rafael Mellim (Atibaia, SP)
- Renato Rea (São Paulo, SP)
- Ricárddo P Pínto (São Paulo, SP)
- Ricardo Morelatto (São Paulo, SP)
- Roderick Steel (São Paulo, SP)
- Rogerio Camargo (Vargem Grande Paulista, SP)
- Rogério Pedro (Campinas, SP)
- Rubens Estevão (Belo Horizonte, MG)
- Sandro Brasil (Florianópolis, SC)
- Serjão Augusto (Guarulhos, SP)
- Suyan de Mattos (Brasília, DF)
- Tatiana Cavinato (Belo Horizonte, MG)
- Tatiana Medoruma (Campinas, SP)
- Thomaz Rosa (São Caetano do Sul, SP)
- Tiago Emanuel de Olivera (Campinas, SP)
- Tiago Ianuck (Brasília, DF)
- Tiago Lima (Salvador, BA)
- Vivian Puxian (São Paulo, SP)
- Wagner Schwartz (São Paulo, SP)
Fonte: www.olholatino.com.br/6bienaldoesquisito/index.php
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Releituras de Cândido Portinari chegam à Sabina Escola Parque do Conhecimento
Trinta e um artistas plásticos mostram às crianças suas visões sobre o trabalho do pintor brasileiro
Trinta e um artistas plásticos realizaram releituras de obras do pintor brasileiro Cândido Portinari especialmente para o projeto Vida e Arte, que está em sua terceira edição na Sabina Escola Parque do Conhecimento, em Santo André. Desta vez, no entanto, o projeto chega com novidades ao proporcionar, por meio da participação ativa das crianças, a integração das artes plásticas com as artes cênicas. A cerimônia de abertura da exposição foi realizada hoje (29) às 10 horas, com a presença da Secretária de Educação Cleide Bochixio.
As peças, em exposição até 26 de agosto, foram produzidas por artistas plásticos representados pela galeria Mali Villas-Bôas, como Malu Montesino, Ana Mora, Célio Rosa, Lucia Singer, Paulo Stocco e Gonçalo Pavanello. Como nas mostras anteriores (sobre Da Vinci e Monet), todos foram convidados a dedicar sua criatividade para interpretar e recriar obras do famoso pintor, com foco no olhar infantil. “É a primeira vez que faço um trabalho voltado para esse público. Por isso, abusei das cores intensas que despertam muito o interesse das crianças”, conta a designer gráfica Ana Mora, que realizou um trabalho de arte digital.
O contato com as obras possibilita, em primeiro lugar, que as crianças conheçam Cândido Portinari, sua história e o contexto social de suas obras. “Queremos, também, despertar a curiosidade e o gosto pela arte, além de ampliar os conhecimentos gerais dos alunos”, explica a coordenadora da Sabina, Sílvia Sanchez. Ela acrescenta que a exposição possibilita ainda a abordagem de temas transversais como história e geografia. “O teor social das obras de Cândido Portinari permite a construção de um painel histórico-geográfico, enfocando questões como seca, condições de trabalho no campo, brincadeiras antigas e modernas”, destaca.
O artista plástico Gonçalo Pavanello criou versão interativa para a obra Meninos Soltando Pipas. Das mãos dos garotos pintados saem linhas que levam as pipas presas no teto da exposição. Portinari retratava brincadeiras de rua da época
Trinta e um artistas plásticos realizaram releituras de obras do pintor brasileiro Cândido Portinari especialmente para o projeto Vida e Arte, que está em sua terceira edição na Sabina Escola Parque do Conhecimento, em Santo André. Desta vez, no entanto, o projeto chega com novidades ao proporcionar, por meio da participação ativa das crianças, a integração das artes plásticas com as artes cênicas. A cerimônia de abertura da exposição foi realizada hoje (29) às 10 horas, com a presença da Secretária de Educação Cleide Bochixio.
As peças, em exposição até 26 de agosto, foram produzidas por artistas plásticos representados pela galeria Mali Villas-Bôas, como Malu Montesino, Ana Mora, Célio Rosa, Lucia Singer, Paulo Stocco e Gonçalo Pavanello. Como nas mostras anteriores (sobre Da Vinci e Monet), todos foram convidados a dedicar sua criatividade para interpretar e recriar obras do famoso pintor, com foco no olhar infantil. “É a primeira vez que faço um trabalho voltado para esse público. Por isso, abusei das cores intensas que despertam muito o interesse das crianças”, conta a designer gráfica Ana Mora, que realizou um trabalho de arte digital.
O contato com as obras possibilita, em primeiro lugar, que as crianças conheçam Cândido Portinari, sua história e o contexto social de suas obras. “Queremos, também, despertar a curiosidade e o gosto pela arte, além de ampliar os conhecimentos gerais dos alunos”, explica a coordenadora da Sabina, Sílvia Sanchez. Ela acrescenta que a exposição possibilita ainda a abordagem de temas transversais como história e geografia. “O teor social das obras de Cândido Portinari permite a construção de um painel histórico-geográfico, enfocando questões como seca, condições de trabalho no campo, brincadeiras antigas e modernas”, destaca.
O artista plástico Gonçalo Pavanello criou versão interativa para a obra Meninos Soltando Pipas. Das mãos dos garotos pintados saem linhas que levam as pipas presas no teto da exposição. Portinari retratava brincadeiras de rua da época
quarta-feira, 20 de julho de 2011
EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE POSTAL
A Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo promove a “Exposição Internacional de Arte Postal” que tem como principal objetivo homenagear o artista plástico brasileiro João Suzuki, com o tema: “ A Primavera sempre virá”. Formato dos trabalhos 10 X 18 cm , com técnica livre e deverão ser enviados até no máximo dia 15 de agosto de 2011. A exposição será aberta no dia 22 de setembro de 2011 no Salão de Exposições do Paço Municipal de Santo André permanecendo aberta para visitação até o dia 22 de outubro de 2011. Os trabalhos enviados não serão devolvidos e haverá documentação para os participantes.
Enviar os trabalhos até 15 de Agosto de 2011 para o endereço abaixo:
Works should be sent no later than August 15, 2011 to the adress above:
Enviar los trabajos hasta el 15 de Agosto de 2011 para la dirección abajo indicada:
EXPOSIÇÃO DE ARTE POSTAL
Prefeitura de Santo André
SCELT - Departamento de Cultura – Ação Educativa
Praça IV Centenário, s/nº - Centro
Santo André São Paulo – Brasil – 09015- 080
sexta-feira, 8 de julho de 2011
exposição > Absolut Illusion
Realidade ou ilusão? Essa é a reflexão proposta pela Absolut Illusion na expo que está em cartaz na cidade. A linha tênue que separa o que é real do que não é, permeia as peças, instalações e pinturas que seduzem e enganam o nosso sistema visual, como um corner de fundo infinito, pintura em 3D e um cilindro de espelhos assinados por um cenografista. No total são 12 obras que marcam o lançamento da edição limitada, cujo rótulo da garrafa, através de um efeito visual, parece flutuar. Vale conferir sóbrio ou levemente alterado. [renata freire] Cartel 011, rua Artur de Azevedo, 517, Pinheiros
Até 16.07 - grátis
Até 16.07 - grátis
sexta-feira, 18 de março de 2011
Sabina Escola Parque do Conhecimento recebe exposição “ Nos Jardins de Monet – Vida e Obra”
Mostra é voltada para o público infantil
Da Redação*
A Sabina Escola Parque do Conhecimento recebe a exposição “Nos Jardins de Monet – Vida e Obra” que traz 27 releituras das obras do pintor francês, Claude Oscar Monet, criadas especialmente para o público infantil.
Gonçalo Pavanello
A exposição começa com um filme de curta duração sobre a vida e obra de Monet. Os visitantes são acompanhados por monitores que explicam as obras, tanto quadros como esculturas. Ao final do passeio as crianças participam de uma oficina de pintura ao ar livre, assim como fazia o pintor impressionista.
A organização e o acervo da mostra foram organizados pela própria galeria. No ano passado, a Sabina Escola Parque do Conhecimento já havia organizado a exposição “Leonardo Da Vinci – Vida e Obra” também voltada para o público infantil.
“ Nos Jardins de Monet – Vida e Obra” ficará aberto a visitações cerca de 30 dias.
(GABRIELA SIKORSKI)
Serviço
Sabina Escola Parque do Conhecimento
Rua Juquiá, alt. do nº 135, Bairro Paraíso, Santo André
Telefone: 4422-2001
(fonte Guia da folha)
domingo, 30 de janeiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Patricia Phelps Cisneiros, dona da mais importante coleção de arte latino-americana mostra acervo em SP e conversa com a Fabio Cypriano da Folha
Patricia Phelps Cisneros conversa com Fabio Cypriano da Folha sobre arte e o surgimento da sua coleção. Considerada a mais importante coleção de Arte Latino-americana, parte dela fica em exibição até 30 de janeiro na Pinacoteca de São Paulo. Conta com cerca de 70 peças entre pinturas, esculturas, objetos e desenhos, mostra o processo de passagem, desenvolvido pelo trabalho dos artistas, do plano pictórico para o espaço, na história da arte da Venezuela e do Brasil, entre 1947 e 1987. Apresenta uma oportunidade rara para o público brasileiro de ver obras fundamentais desse período ao mesmo tempo em que oferece a possibilidade de leituras comparativas e complementares.
FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO - Folha online - Ilustrada
A colecionadora venezuelana Patricia Phelps Cisneros diz que possui 5.860.000 obras de arte, mas quando lembra que a afirmação estava sendo gravada, aproxima o aparelho da boca e diz "é brincadeira". Os números de seu acervo, no entanto, considerado o melhor de arte latino-americana, não são divulgados. Em parte, números podem não ser importante, pois o que ela salienta na entrevista a seguir é a responsabilidade do colecionismo.
Figura influente em museus como o MoMA, de Nova York, e a Tate, de Londres, Cisneros apresenta agora 80 trabalhos de sua coleção na mostra "Desenhar no Espaço", em cartaz até 30 de janeiro na Pinacoteca. Quando esteve em São Paulo para a abertura da exposição, no fim de novembro, ela falou à Folha, contando a história de sua coleção e suas maiores paixões, que são, por ordem de importância: sua família, deus, flamenco, comida e o Grande Núcleo, de Hélio Oiticica. Além de ótima colecionadora, como se percebe, Cisneros tem ótimo humor. Leia a seguir a íntegra da entrevista.
Folha - O que a levou a colecionar arte? Como sua coleção teve início?
Patricia Cisneros - Não começou como uma coleção, mas como uma senhora recém-casada que queria arrumar sua residência com certa estética. E essa estética tem sido coerente com minha coleção porque, e isso revela minha idade, eu cresci na Venezuela nos anos 1950 que, junto com o Brasil, teve uma modernismo extraordinário, havia obras públicas de [Jesús Rafael] Soto em várias partes. Para onde se olhava, havia modernismo, o modernismo estava em nosso sangue.
Então começamos a colecionar Gego, Salazar, sempre com obras abstratas. Depois, meu marido começou a viajar pela América Latina, eu o acompanhava, e a coleção deixou de ser local. Ele foi meu grande mentor, me ensinou a ter uma visão mais universal e, certamente, mais latinoamericanista da arte. Assim, o que me levou a ser colecionista foi gostar de ter coisas belas ao meu redor.
Mas agora, inclusive, tenho uma missão sobre a responsabilidade do colecionismo. Isso porque uma coisa é comprar uma obra e pronto. Outra é cuidar dela, assegurar que ela tenha condições de preservação corretas. As grande corporações, que possuem coleções, em geral não gostam de mim, porque eu digo "e o ar-condicionado, vocês o apagam nos fins de semana?" Essa mudança faz a obra sofrer. E se o escritório do presidente é ensolarado, e o sol chega a um quadro maravilhoso, ele o danifica. Essas corporações sequer têm curadores. Então, quando alguém se chama colecionador, o que mais ele faz além de comprar.
Eu já fui assim, comprava e achava tudo bonito, mas não sabia nada, eu tinha 20 anos. Até que um dia, me ligaram de uma revista europeia para saber sobre minha coleção e, palavra de honra, até então não tinha me dado conta que eu tinha uma coleção.
Quando foi isso?
Ah, faz tempo, em meados dos anos 80. Eu até catalogava as obras, mas não tinha consciência de ter uma coleção. Depois dessa ligação, ao prazer de colecionar se juntou a responsabilidade. Desde esse momento temos tido, sobretudo, o respeito ao artista, disso se trata. Então, temos conservadores, curadores, restauradores, tudo que se necessita para que uma obra esteja bem conservada. E educadores, que é a missão fundamental da Fundação.
A Fundação foi criada há exatos 40 anos?
Sim, começamos naquele momento e sempre tivemos uma dupla missão, dentro da América do Sul, onde sempre se focou nos aspectos educativos dos programas que temos, porque temos muitos. A coleção é uma pequena parte divertida. Mais que divertida, porque sempre pensamos na educação como a única forma, eu creio, de superar a pobreza. E a liberdade, não de expressão, que também é importante, mas eu gosto de enfatizar a liberdade de pensamento. E não quero generalizar, mas há muitas escolas na América Latina que não tem liberdade de pensamento e os professores precisam respeitar a opinião dos alunos frente a uma obra de arte. Usando a arte como meio de expressão e de respeito à ideia dos demais se pode fazer muito e nosso grão de areia é ajudar nesse sentido.
Em quantos países a Fundação trabalha?
Desde o México até o Polo Sul, numa base militar da Argentina, onde temos um treinamento de professores. Cremos também na preservação de nosso acervo histórico, o que muitos governos não fazem. Assim, temos também uma coleção de arte da Amazônia venezuelana, há 30 anos colecionamos obras etnográficas e há dez essa coleção circula pela Europa. Os europeus respeitam muito a filosofia e a religião do índio, não as olham com superioridade. Já mostramos 60 obras de nossa coleção em um museu na Lapônia, na Finlândia, e com o trabalho educativa na Argentina, nossa ação é de polo a polo. A coleção indígena já foi vista por sete milhões de pessoas!
E porque, com tantas obras, a Fundação Cisneros não tem um espaço expositivo?
Quantos habitantes da Lapônia iriam à Venezuela ver a coleção? Certamente poucos. Então nós vamos a eles. Nunca...hum, acho que não posso dizer nunca. Às vezes entramos em alguns espaços, como esse do Instituto de Arte Contemporânea, onde há a exposição de Mira Schendel, que sim, me dá vontade. Creio que em algum momento vamos acabar tendo algum lugar, mas por enquanto gosto de trabalhar com as universidades e elas têm muitos museus. E como muitos museus na América Latina não têm muitas obras, nós as emprestamos com muito gosto. Mesmo se um museu não tem muitas condições técnicas, que dariam um ataque de coração em nosso conservador, nós emprestamos peças que não necessitam de cuidados especiais.
Mas nossa missão é educativa e, quando começamos a coleção, a arte de nosso continente não era do interesse de muitos museus, mas agora isso começa a mudar. E nós temos a reputação de sermos sérios, organizados, temos mesmo o staff de um museu, com 20 pessoas, o que é o que tem qualquer museu mediano, fora os serviços terceirizados de advocacia, contabilidade...
Agora, também tem uma questão de vaidade...
Ah, a senhora não quer um Museu Patricia Cisneros?
Isso mesmo, não quero. O mais importante é poder fazer circular 300 obras, em um só ano, por muitos museus.
A senhora falou que museus têm tido mais interesse em arte latino-americana e sua presença, tanto no Conselho do MoMA como no da Tate ajudou muito nessa percepção.
Agradeço sua deferência, mas não sou eu. No MoMA, a figura central é o Glenn Lowry. Desde o dia em que ele entrou, em 1995, deixou muito claro que ele queria romper a visão norte-americana e europeia que predominava no museu e expandir em novas direções. Então, ele deu um apoio incondicional à arte latino-americana. Ele veio ao Brasil muitas vezes, mais de oito creio.
E na Tate, Nicholas Serota também tem esse papel, certo?
Sim, Nic, também. Então, depende muito do diretor. Para mim é um grande prazer trabalhar com Lowry. E Paulo Herkenhoff, que foi meu grande mentor em arte, porque ele sabia minha estética e ele me ensinou o que se passou no Brasil, nos anos 1950 e 60. Ele foi o primeiro curador de América Latina no MoMA e abriu o caminho. E o MoMA foi o primeiro museu a ter um curador para arte latino-americana e foi o primeiro museu no exterior a ter um Willys de Castro, o que me dá muito prazer! Depois veio Luis Perez-Oramas, que colabora muito, conhece bem o Brasil e trabalhou conosco por uns dez anos.
E qual a presença na arte brasileira em sua coleção?
Há dois anos, Gabriel [Perez-Barreiro] começou a trabalhar conosco. Ele fala português, fez a 6ª Bienal do Mercosul [2007, em Porto Alegre] e agora estamos olhando mais para a arte contemporânea. Estou aprendendo muito com o Gabriel. Eu ainda adoro vir ao Brasil, as pessoas são muito amáveis. Ontem, jantei com amigos e o Gilberto Chateaubriand veio do Rio só para nos encontrar e eu o conheço desde 1980.
O Chateaubriand sempre se lembra que a primeira obra da coleção dele, que foi um Pancetti. Qual foi a sua?
A primeira foi de um espanhol que se chamava Manuel Rivera [1928 1995], e é feita de uma tela metálica, muita abstrata, muito geométrica, e nela já se vê minha estética. Mas o primeiro trabalho que comprei mesmo foi com 13 anos, quando ganhei um dinheiro, e era um livro sobre arte etrusca, que esse foi meu primeiro contato com arte, pois em 1953 havia muito poucos livros de arte na Venezuela.
Chateaubriand também tem um modo particular de aquisição. Ele prefere comprar nos ateliês dos artistas, por exemplo. Qual é o seu?
Para mim, um dos grandes prazeres do mundo é estar no sofá velho que o Waltércio Caldas tem no estúdio dele e ficar conversando com ele. Quando viajo com meu marido pela América do Sul, sempre busco saber quais artistas posso visitar. Senão, ler e ver. Gabriel também é fundamental, se não posso ver as obras, ele mostra slides, eu confiava também em Paulo e com eles discutir se tal obra encaixa na coleção e se preço está bom (risos).
E você também compra em feiras de arte, que estão muito em moda, ou você vai a Basel, por exemplo?
Não vou, eu não gosto. Não quero criticar, há gente que gosta, mas não é meu caso.
E a senhora visita bienais?
Acabo de estar na Bienal de Pontevedra, na Espanha, que achei incrível e acho que fui a única colecionadora a estar lá. Mas isso depende muito, do meu marido, da minha família, quando eu posso, eu vou.
E as Bienais de São Paulo?
Já vi muitas, a do Paulo [Herkenhoff], claro. Mas sempre venho durante, como agora, não na abertura.
E essa, a senhora gostou?
Gostei muito de algumas peças. Aprendi muito, ela me pareceu muito interessante. Sempre é necessário ver e ver e ver, e se não gostar, é preciso continuar vendo. Mas também há muitas peças que não gostei. Mas adorei ver o bólide "Cara de Cavalo", do Gilberto [Chateaubriand] e eu disse a ele que ia roubá-lo (risos). Também gostei muito do colombiano Mateo López, ele é muito bom. Na Bienal é possível saber o que se passa no mundo.
Mas eu fiquei triste também porque havia uma obra com telas penduradas que me lembrou o "Grande Núcleo", do Oiticica, e eu chorei muito quando achei que essa, que é minha obra favorita no mundo inteiro, com seus planos amarelos, tinha se perdido. Ela é minha paixão. Para mim, há minha família, deus, flamenco, comida e depois o Grande Núcleo (risos)
Voltando à sua presença nos museus internacionais, os diretores podem ser importantes, mas a senhora compra muita obra para eles...
Sim, mas é o apoio deles que tem me dado força, assim como o de meu marido. Eu tenho orgulho de muitas coisas. Como membro do comitê diretor do MoMA, onde cheguei muito jovem, percebi que os curadores do museu eram muito preparados e inteligentes, mas não sabiam nada da América do Sul, porque as escolas norte-americanas não ensinam. O curador de arquitetura, por exemplo, só conhecia Niemeyer e mais nada. Agora em 2015 vão organizar uma mostra de dois pisos só sobre arquitetura contemporânea latino-americana, ou seja, foi uma longa estrada.
Longa porque lá atrás eu decidi criar um fundo de viagem para curadores e, todo ano, cada departamento podia mandar um membro para conhecer algum país da América do Sul e insisti, em contrato, que eles não eram obrigados a mostrar nada do que tinham visto, só tinham que conhecer. O que passou? A primeira a se beneficiar da bolsa foi Paola Antonelli e ela veio ao Brasil, onde conheceu dois rapazes que faziam móveis e se chamam Campanas. Na volta, em 1998, ela organizou uma pequena mostra deles, no Project Series, nós compramos uma peça e o resto é história. Isso me deixa muito feliz.
Outra coisa que acabamos de criar no MoMA é um bibliotecário especialista em América Latina.
E isso é pago pela Fundação Cisneros?
Sim, isso é uma doação para um fim específico. Mas eu também queria falar de um assunto que é pouco abordado que é o direito de autor. Quando fizemos nosso primeiro site, o que já faz muito tempo, acho que em 2000, não me lembro bem, mas lembro não tínhamos o presidente que temos [Chávez].
Enfim, contatamos os artistas para conseguir suas permissões e, mesmo aqui no Brasil, muitos não sabiam que havia algo chamado direito de autor e nós aconselhamos a muito, inclusive dando apoio legal, a saberem como fazer isso. E também fiquei muito feliz em poder dizer isso aos artistas.
E isso mostra que o fundamental é o respeito aos artistas. Ontem, eu comentava que tenho uma casa na Republica Dominicana, onde há furacões, sabe. Ela tem um belo jardim e muitas paredes e não existe nada nessas paredes. Alguns amigos aconselham colocar obras de artistas jovens, mas para mim não interessa se uma obra vale U$ 50 ou U$ 500 mil, é uma obra de um artista, saiu de sua alma. Por isso, sou brava com os colecionadores.
A Fundação é muito discreta em relação a quantas obras possui, tentei descobrir por vários meios e não consegui...
Temos 5.860.000 obras. Ai, está gravando. É brincadeira!! (risos).
A senhora gostaria de dizer mais alguma coisa?
(silêncio) Sim. Nós consideramos que estamos cuidando das obras, quase todas passaram pela nossa casa, mas o que digo é que estamos cuidando delas porque elas pertencem ao mundo.
A colecionadora venezuelana Patricia Phelps Cisneros, que mostra parte de seu acervo em exposição em SP
(Letícia Moreira/Folhapress )
FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO - Folha online - Ilustrada
A colecionadora venezuelana Patricia Phelps Cisneros diz que possui 5.860.000 obras de arte, mas quando lembra que a afirmação estava sendo gravada, aproxima o aparelho da boca e diz "é brincadeira". Os números de seu acervo, no entanto, considerado o melhor de arte latino-americana, não são divulgados. Em parte, números podem não ser importante, pois o que ela salienta na entrevista a seguir é a responsabilidade do colecionismo.
Figura influente em museus como o MoMA, de Nova York, e a Tate, de Londres, Cisneros apresenta agora 80 trabalhos de sua coleção na mostra "Desenhar no Espaço", em cartaz até 30 de janeiro na Pinacoteca. Quando esteve em São Paulo para a abertura da exposição, no fim de novembro, ela falou à Folha, contando a história de sua coleção e suas maiores paixões, que são, por ordem de importância: sua família, deus, flamenco, comida e o Grande Núcleo, de Hélio Oiticica. Além de ótima colecionadora, como se percebe, Cisneros tem ótimo humor. Leia a seguir a íntegra da entrevista.
Folha - O que a levou a colecionar arte? Como sua coleção teve início?
Patricia Cisneros - Não começou como uma coleção, mas como uma senhora recém-casada que queria arrumar sua residência com certa estética. E essa estética tem sido coerente com minha coleção porque, e isso revela minha idade, eu cresci na Venezuela nos anos 1950 que, junto com o Brasil, teve uma modernismo extraordinário, havia obras públicas de [Jesús Rafael] Soto em várias partes. Para onde se olhava, havia modernismo, o modernismo estava em nosso sangue.
Então começamos a colecionar Gego, Salazar, sempre com obras abstratas. Depois, meu marido começou a viajar pela América Latina, eu o acompanhava, e a coleção deixou de ser local. Ele foi meu grande mentor, me ensinou a ter uma visão mais universal e, certamente, mais latinoamericanista da arte. Assim, o que me levou a ser colecionista foi gostar de ter coisas belas ao meu redor.
Mas agora, inclusive, tenho uma missão sobre a responsabilidade do colecionismo. Isso porque uma coisa é comprar uma obra e pronto. Outra é cuidar dela, assegurar que ela tenha condições de preservação corretas. As grande corporações, que possuem coleções, em geral não gostam de mim, porque eu digo "e o ar-condicionado, vocês o apagam nos fins de semana?" Essa mudança faz a obra sofrer. E se o escritório do presidente é ensolarado, e o sol chega a um quadro maravilhoso, ele o danifica. Essas corporações sequer têm curadores. Então, quando alguém se chama colecionador, o que mais ele faz além de comprar.
Eu já fui assim, comprava e achava tudo bonito, mas não sabia nada, eu tinha 20 anos. Até que um dia, me ligaram de uma revista europeia para saber sobre minha coleção e, palavra de honra, até então não tinha me dado conta que eu tinha uma coleção.
Quando foi isso?
Ah, faz tempo, em meados dos anos 80. Eu até catalogava as obras, mas não tinha consciência de ter uma coleção. Depois dessa ligação, ao prazer de colecionar se juntou a responsabilidade. Desde esse momento temos tido, sobretudo, o respeito ao artista, disso se trata. Então, temos conservadores, curadores, restauradores, tudo que se necessita para que uma obra esteja bem conservada. E educadores, que é a missão fundamental da Fundação.
A Fundação foi criada há exatos 40 anos?
Sim, começamos naquele momento e sempre tivemos uma dupla missão, dentro da América do Sul, onde sempre se focou nos aspectos educativos dos programas que temos, porque temos muitos. A coleção é uma pequena parte divertida. Mais que divertida, porque sempre pensamos na educação como a única forma, eu creio, de superar a pobreza. E a liberdade, não de expressão, que também é importante, mas eu gosto de enfatizar a liberdade de pensamento. E não quero generalizar, mas há muitas escolas na América Latina que não tem liberdade de pensamento e os professores precisam respeitar a opinião dos alunos frente a uma obra de arte. Usando a arte como meio de expressão e de respeito à ideia dos demais se pode fazer muito e nosso grão de areia é ajudar nesse sentido.
Em quantos países a Fundação trabalha?
Desde o México até o Polo Sul, numa base militar da Argentina, onde temos um treinamento de professores. Cremos também na preservação de nosso acervo histórico, o que muitos governos não fazem. Assim, temos também uma coleção de arte da Amazônia venezuelana, há 30 anos colecionamos obras etnográficas e há dez essa coleção circula pela Europa. Os europeus respeitam muito a filosofia e a religião do índio, não as olham com superioridade. Já mostramos 60 obras de nossa coleção em um museu na Lapônia, na Finlândia, e com o trabalho educativa na Argentina, nossa ação é de polo a polo. A coleção indígena já foi vista por sete milhões de pessoas!
E porque, com tantas obras, a Fundação Cisneros não tem um espaço expositivo?
Quantos habitantes da Lapônia iriam à Venezuela ver a coleção? Certamente poucos. Então nós vamos a eles. Nunca...hum, acho que não posso dizer nunca. Às vezes entramos em alguns espaços, como esse do Instituto de Arte Contemporânea, onde há a exposição de Mira Schendel, que sim, me dá vontade. Creio que em algum momento vamos acabar tendo algum lugar, mas por enquanto gosto de trabalhar com as universidades e elas têm muitos museus. E como muitos museus na América Latina não têm muitas obras, nós as emprestamos com muito gosto. Mesmo se um museu não tem muitas condições técnicas, que dariam um ataque de coração em nosso conservador, nós emprestamos peças que não necessitam de cuidados especiais.
Mas nossa missão é educativa e, quando começamos a coleção, a arte de nosso continente não era do interesse de muitos museus, mas agora isso começa a mudar. E nós temos a reputação de sermos sérios, organizados, temos mesmo o staff de um museu, com 20 pessoas, o que é o que tem qualquer museu mediano, fora os serviços terceirizados de advocacia, contabilidade...
Agora, também tem uma questão de vaidade...
Ah, a senhora não quer um Museu Patricia Cisneros?
Isso mesmo, não quero. O mais importante é poder fazer circular 300 obras, em um só ano, por muitos museus.
A senhora falou que museus têm tido mais interesse em arte latino-americana e sua presença, tanto no Conselho do MoMA como no da Tate ajudou muito nessa percepção.
Agradeço sua deferência, mas não sou eu. No MoMA, a figura central é o Glenn Lowry. Desde o dia em que ele entrou, em 1995, deixou muito claro que ele queria romper a visão norte-americana e europeia que predominava no museu e expandir em novas direções. Então, ele deu um apoio incondicional à arte latino-americana. Ele veio ao Brasil muitas vezes, mais de oito creio.
E na Tate, Nicholas Serota também tem esse papel, certo?
Sim, Nic, também. Então, depende muito do diretor. Para mim é um grande prazer trabalhar com Lowry. E Paulo Herkenhoff, que foi meu grande mentor em arte, porque ele sabia minha estética e ele me ensinou o que se passou no Brasil, nos anos 1950 e 60. Ele foi o primeiro curador de América Latina no MoMA e abriu o caminho. E o MoMA foi o primeiro museu a ter um curador para arte latino-americana e foi o primeiro museu no exterior a ter um Willys de Castro, o que me dá muito prazer! Depois veio Luis Perez-Oramas, que colabora muito, conhece bem o Brasil e trabalhou conosco por uns dez anos.
E qual a presença na arte brasileira em sua coleção?
Há dois anos, Gabriel [Perez-Barreiro] começou a trabalhar conosco. Ele fala português, fez a 6ª Bienal do Mercosul [2007, em Porto Alegre] e agora estamos olhando mais para a arte contemporânea. Estou aprendendo muito com o Gabriel. Eu ainda adoro vir ao Brasil, as pessoas são muito amáveis. Ontem, jantei com amigos e o Gilberto Chateaubriand veio do Rio só para nos encontrar e eu o conheço desde 1980.
O Chateaubriand sempre se lembra que a primeira obra da coleção dele, que foi um Pancetti. Qual foi a sua?
A primeira foi de um espanhol que se chamava Manuel Rivera [1928 1995], e é feita de uma tela metálica, muita abstrata, muito geométrica, e nela já se vê minha estética. Mas o primeiro trabalho que comprei mesmo foi com 13 anos, quando ganhei um dinheiro, e era um livro sobre arte etrusca, que esse foi meu primeiro contato com arte, pois em 1953 havia muito poucos livros de arte na Venezuela.
Chateaubriand também tem um modo particular de aquisição. Ele prefere comprar nos ateliês dos artistas, por exemplo. Qual é o seu?
Para mim, um dos grandes prazeres do mundo é estar no sofá velho que o Waltércio Caldas tem no estúdio dele e ficar conversando com ele. Quando viajo com meu marido pela América do Sul, sempre busco saber quais artistas posso visitar. Senão, ler e ver. Gabriel também é fundamental, se não posso ver as obras, ele mostra slides, eu confiava também em Paulo e com eles discutir se tal obra encaixa na coleção e se preço está bom (risos).
E você também compra em feiras de arte, que estão muito em moda, ou você vai a Basel, por exemplo?
Não vou, eu não gosto. Não quero criticar, há gente que gosta, mas não é meu caso.
E a senhora visita bienais?
Acabo de estar na Bienal de Pontevedra, na Espanha, que achei incrível e acho que fui a única colecionadora a estar lá. Mas isso depende muito, do meu marido, da minha família, quando eu posso, eu vou.
E as Bienais de São Paulo?
Já vi muitas, a do Paulo [Herkenhoff], claro. Mas sempre venho durante, como agora, não na abertura.
E essa, a senhora gostou?
Gostei muito de algumas peças. Aprendi muito, ela me pareceu muito interessante. Sempre é necessário ver e ver e ver, e se não gostar, é preciso continuar vendo. Mas também há muitas peças que não gostei. Mas adorei ver o bólide "Cara de Cavalo", do Gilberto [Chateaubriand] e eu disse a ele que ia roubá-lo (risos). Também gostei muito do colombiano Mateo López, ele é muito bom. Na Bienal é possível saber o que se passa no mundo.
Mas eu fiquei triste também porque havia uma obra com telas penduradas que me lembrou o "Grande Núcleo", do Oiticica, e eu chorei muito quando achei que essa, que é minha obra favorita no mundo inteiro, com seus planos amarelos, tinha se perdido. Ela é minha paixão. Para mim, há minha família, deus, flamenco, comida e depois o Grande Núcleo (risos)
Voltando à sua presença nos museus internacionais, os diretores podem ser importantes, mas a senhora compra muita obra para eles...
Sim, mas é o apoio deles que tem me dado força, assim como o de meu marido. Eu tenho orgulho de muitas coisas. Como membro do comitê diretor do MoMA, onde cheguei muito jovem, percebi que os curadores do museu eram muito preparados e inteligentes, mas não sabiam nada da América do Sul, porque as escolas norte-americanas não ensinam. O curador de arquitetura, por exemplo, só conhecia Niemeyer e mais nada. Agora em 2015 vão organizar uma mostra de dois pisos só sobre arquitetura contemporânea latino-americana, ou seja, foi uma longa estrada.
Longa porque lá atrás eu decidi criar um fundo de viagem para curadores e, todo ano, cada departamento podia mandar um membro para conhecer algum país da América do Sul e insisti, em contrato, que eles não eram obrigados a mostrar nada do que tinham visto, só tinham que conhecer. O que passou? A primeira a se beneficiar da bolsa foi Paola Antonelli e ela veio ao Brasil, onde conheceu dois rapazes que faziam móveis e se chamam Campanas. Na volta, em 1998, ela organizou uma pequena mostra deles, no Project Series, nós compramos uma peça e o resto é história. Isso me deixa muito feliz.
Outra coisa que acabamos de criar no MoMA é um bibliotecário especialista em América Latina.
E isso é pago pela Fundação Cisneros?
Sim, isso é uma doação para um fim específico. Mas eu também queria falar de um assunto que é pouco abordado que é o direito de autor. Quando fizemos nosso primeiro site, o que já faz muito tempo, acho que em 2000, não me lembro bem, mas lembro não tínhamos o presidente que temos [Chávez].
Enfim, contatamos os artistas para conseguir suas permissões e, mesmo aqui no Brasil, muitos não sabiam que havia algo chamado direito de autor e nós aconselhamos a muito, inclusive dando apoio legal, a saberem como fazer isso. E também fiquei muito feliz em poder dizer isso aos artistas.
E isso mostra que o fundamental é o respeito aos artistas. Ontem, eu comentava que tenho uma casa na Republica Dominicana, onde há furacões, sabe. Ela tem um belo jardim e muitas paredes e não existe nada nessas paredes. Alguns amigos aconselham colocar obras de artistas jovens, mas para mim não interessa se uma obra vale U$ 50 ou U$ 500 mil, é uma obra de um artista, saiu de sua alma. Por isso, sou brava com os colecionadores.
A Fundação é muito discreta em relação a quantas obras possui, tentei descobrir por vários meios e não consegui...
Temos 5.860.000 obras. Ai, está gravando. É brincadeira!! (risos).
A senhora gostaria de dizer mais alguma coisa?
(silêncio) Sim. Nós consideramos que estamos cuidando das obras, quase todas passaram pela nossa casa, mas o que digo é que estamos cuidando delas porque elas pertencem ao mundo.
A colecionadora venezuelana Patricia Phelps Cisneros, que mostra parte de seu acervo em exposição em SP
(Letícia Moreira/Folhapress )
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Vem aí SP-Arte / Foto 2010
“Abismo”, “O Bico” e “Dust Storm”
“A SP-Arte/Foto reflete a importância da fotografia dentro do mercado de arte a partir dos anos 80. Este movimento é resultado não só do aumento pelo interesse na fotografia, mas também do esforço e trabalho que profissionais ligados ao meio estão empreendendo para promovê-la”, afirma Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte/Foto. O resultado pode ser sentido no numero de visitantes que estiveram no evento o ano passado: aproximadamente 7 mil, o dobro do número da primeira edição em 2007.
A feira inova este ano e promoverá, gratuitamente, um Ciclo de Palestras sob a coordenação da pesquisadora e fotógrafa, Denise Gadelha, com duração de 3 dias. Este curso traçará um panorama da fotografia contemporânea nacional e internacional, e da história da fotografia, suas vertentes e ícones. Haverá ainda, no stand da Cosac Naify, o lançamento dos livros Apreensões, de Bob Wolfenson, e As fotografias, de Boris Kossoy.
Veja a lista das galerias participantes:
Arte 57 (SP)
Baró Galeria (SP)
Casa Triângulo (SP)
FASS (SP)
Galeria de Babel (SP)
Galeria Oscar Cruz (SP)
Instituto Moreira Salles (SP)
Leme (SP)
Luciana Brito (SP)
Millan (SP)
Nara Roesler (SP)
Zipper (SP)
Galeria da Gávea (RJ)
H.A.P. Galeria (RJ)
Pequena Galeria 18 (RJ)
Bonni Benrubi (NY)
1500 Gallery (NY)
Motor (online)
SP-Arte/Foto 2010
Espaço Iguatemi
Av. Brig. Faria Lima, 2232 – 9º andar (acesso pelos elevadores do hall central)
Abertura: 08 de setembro, das 16h às 22h (preview para convidados)
Visitação do público: 09 e 10 de setembro, das 16h às 22h, 11 e 12 de setembro, das 14h às 22h
Lançamentos de livros:
- Sexta-feira, 10, às 19h: Apreensões, de Bob Wolfenson
- Sábado, 11, às 19h: As fotografias, de Boris Kossoy
Entrada Gratuita
A OBRA DE ARTE - o filme
A OBRA DE ARTE "Dia 23 de setembro, em consonância com a realização da 29ª Bienal de São Paulo, a Cinemateca Brasileira, no projeto Primeira Exibição, exibe o documentário A Obra de Arte, de Marcos Ribeiro, que aborda o processo criativo de 7 dos principais artistas plásticos do país – Eduardo Sued, Carlos Vergara, Beatriz Milhazes,... Cildo Meireles, Waltércio Caldas, Tunga e Ernesto Neto.
Em visitas aos ateliês dos artistas, onde colheu depoimentos, imagens e perfomaces, o diretor revela sua descoberta do mundo das artes plásticas e como este mundo pode ser entendido e apreciado por todos. E os artistas, ao falarem de suas idéias, mostram os procedimentos e métodos envolvidos na produção de suas obras. O filme foi selecionado para competição na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2009"
http://www.cinemateca.com.br/
Em visitas aos ateliês dos artistas, onde colheu depoimentos, imagens e perfomaces, o diretor revela sua descoberta do mundo das artes plásticas e como este mundo pode ser entendido e apreciado por todos. E os artistas, ao falarem de suas idéias, mostram os procedimentos e métodos envolvidos na produção de suas obras. O filme foi selecionado para competição na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2009"
http://www.cinemateca.com.br/
sábado, 28 de agosto de 2010
Artistas criam a “Intervenção Máxima” em fábrica abandonada
No próximo domingo (29) a cidade de Santo André, no ABCD paulista, vai ganhar um pouco mais de cor em uma das suas áreas mais degradadas. Aproximadamente 200 artistas irão realizar a já proclamada “Intervenção Máxima”, um evento que tem como propósito alertar a população para a questão do abandono da cidade. O lugar escolhido foi uma antiga fábrica, na Avenida Industrial (próximo a estação de trem Prefeito Saladino), entregue ao descaso e ao mau aproveitamento há mais de 20 anos.
O local foi “desbravado” inicialmente pelo artista plástico Moisés Patrício, que ja vinha utilizando o espaço como um lugar de estudo e desenvolvimento de seus trabalhos há cerca de um ano. Solitário, Moisés encontrou lá um palco para uma futura intervenção artística, algo que se consolidou pouco tempo depois com a ajuda de outros colaboradores. Eles chegaram ao consenso de que o espaço poderia ser muito mais que apenas mais um lugar para pintar, e sim um manifesto contra o esquecimento. Dentre eles estão nomes conhecidos das artes visuais como Ozi e Celso Githay.
A fábrica escolhida, mais conhecida visivelmente por suas peculiares torres, atraiu de imediato a atenção de outros simpatizantes a partir do primeiro registro divulgado na internet, esse, por sua vez, o principal meio de comunicação do grupo atualmente.
Algumas incursões no local já foram feitas e contabiliza-se hoje que cerca de 80 artistas já passaram pela fábrica, como graffiteiros, pintores, fotógrafos, escultores, cinegrafistas, simpatizantes etc.
“O mais legal é ver que esse lugar virou uma galeria para a população, um alerta sobre o melhor aproveitamento dos espaços públicos, todos criando e gerando arte, livres de qualquer preconceito ou barreiras artísticas. É um movimento a favor da criação, uma celebração da arte”, afirma o “embaixador” do movimento, Moisés.
Aliás, é esse o principal objetivo da intervenção, aproximar o artista da cidade e a cidade da arte. Em um momento onde o cinza está dando lugar à cor, mas não a cor da arte e sim às agressivas cores das campanhas eleitorais, uma reflexão sobre o momento que passamos é mais que necessária.
E a procura de outros lugares não para em Santo André...
Para informações
Moisés Patrício
Telefone: (11) 6971 3328
Vanessa Joda
Telefone: (13) 8145 8635
Luís Antonio Borges
Telefone: (11) 8354 3773
Local: Avenida Industrial S/Nº, ao lado da estação de trem Prefeito Saladino e Moinho São Jorge, Santo André, SP.
Dia: 29 de Agosto
Horário: 9h
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